Retrospectiva 2012

Relembre as principais notícias e eventos de 2012.

Música

Trombeteiros do Juízo Final reclamam da falta de oportunidade de empregos após fracasso do evento. "No Réveillon tivemos de tocar em um buffet, no Ceará", lamenta um dos músicos.

Economia

Após cancelamento do evento, filatelistas estimam queda nos valores dos selos do Apocalipse.

Mundo

Paquistão antecipa-se e inicia queima de fogos dois dias antes da virada do ano.

Cinema

Depois do sucesso de audiência do Julgamento do Mensalão, Marcos Valério foi convidado a interpretar Lex Luthor em novo filme do Homem de Aço.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Lévi-Strauss lança manual de etiqueta




“A mitologia ameríndia está repleta de personagens proscritos por não se portarem adequadamente à mesa”, assim o antropólogo francês, Claude Lévi-Strauss, inicia seu manual de etiqueta, A origem dos modos à mesa, lançado no Brasil pela editora Cosac Naify. Escrito de forma leve e bem-humorada, no jargão estruturalista, o livro reúne uma série de dúvidas, dos índios bororos, sobre bons modos à mesa.
Partindo do princípio de que “Não é porque se vive seminu, no meio do Mato Grosso, que se deve usar o garfo de salada na carne”, Lévi-Strauss fornece valiosas dicas aos bororos que pretendem circular pelas mais diversas ocas e sobreviver à saias-justas, sem cometer gafes, pois como afirma no final do livro: “Quando o assunto é etiqueta à mesa, significante e significado estão SEMPRE intimamente relacionados”.
O livro representa um novo passo na carreira do estruturalista francês que, anteriormente, enveredara pelo caminho da culinária exótica, com O Cru e o Cozido (na década de 60, Lévi-Strauss chegou a apresentar um programa na televisão francesa, no qual ensinava receitas ameríndias típicas) e, alguns anos mais tarde, do turismo, com seu Tristes Trópicos – Guia turístico para estudantes de antropologia – até hoje seu maior êxito editorial.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Quem somos nós?


Ao contrário do que você possa imaginar, estimado leitor, o presente texto não é um encômio ao documentário homônimo (produzido unicamente com a força do pensamento), que visava demonstrar como a física quântica pode auxiliar na preparação de uma deliciosa paella. Não. O presente texto pretende apenas saciar a curiosidade de nossos dois leitores, apresentando-lhes os membros que compõem nossa redação.


Barba Ruiva – Iniciou sua carreira no jornalismo e na pirataria sob a alcunha de Barba Negra, contudo uma acusação de racismo, o obrigou a alterar seu epíteto para Barba Ruiva. Trabalhou como repórter policial na extinta TV Tupi, de onde foi expulso após acusações – nunca provadas – de pilhagem. No final da década de 80 apresentou o saudoso talk show, Papagaio de Pirata, nas madrugadas da Rede Globo, no qual recebia convidados do mundo da rapinagem como o perneta Long John Silver e Paulo Maluf. Com seu estilo truculento e sanguinário, Barba Ruiva logo abocanhou o cargo de crítico literário em nosso hebdomadário e sua coluna é, hoje, uma das mais temidas do jornalismo cultural brasileiro.





Juanito Capote – Filho ilegítimo de Archulus Persons (pai de Truman Capote) e Consuela Carillo, uma mexicana que vivia ilegalmente sob a mesa de James Thurber, na The New Yorker, Juanito Carrillo, assume aos 25 anos o sobrenome artístico do irmão famoso e torna-se editor-chefe do boletim informativo do cartel mexicano Los Zetas. Durante anos, Juanito alegou ter sido ele, e não o irmão, o criador do chamado Novo Jornalismo (chegando mesmo a brigar na justiça para provar a autoria do gênero), até que, em 2005, percebeu que criara, na verdade, uma nova receita de guacamole. Em 2007, Juanito Capote muda-se para o Brasil e assume a seção de astrologia da revista Caros Amigos. Atualmente é nosso editor de política imigratória, além de colaborar frequentemente com as revistas Fronteiras – a revista do imigrante ilegal e Sombrero – Revista do Mexicano Estereotipado.


Catulo – Começou sua carreira de ilustrador desenhando pequeninos falos (certamente resquícios de sua herança minimalista) nos banheiros da Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual se formou com honrarias, ao apresentar no curso de Engenharia Cartográfica um suposto mapa da cidade perdida de Atlântida (mais tarde se verificou tratar-se de um mapa de Atlanta, a capital do estado norte-americana da Geórgia – a USP, no entanto, nunca desmentiu o feito de seu aluno). Debuta no mundo da arte ao ilustrar o clássico infanto-juvenil Arnold Friedman – Memórias de um pedófilo e, em 2008, Catulo recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Ilustração, por sua versão ilustrada, destinada aos analfabetos, da Bíblia Sagrada. Cartunista de Paliativo Estético desde sua fundação, Catulo já teve seu trabalho exposto no MASP, no Memorial JK e no quarto da minha esposa.




Um homem de amarelo – Um homem que passou a integrar nossa redação graças ao programa do governo federal que garante cotas às pessoas vestidas de amarelo. Sua coluna doe.














Oscar Wilde – Janota, homossexual e colunista de moda deste hebdomadário digital, Wilde estreou no jornalismo apresentando, ao lado da comediante Joan Rivers, o programa Fashion Police, no qual satirizava as roupas das celebridades. Contudo, um gracejo do escritor irlandês acerca das plásticas de Rivers, alterou os rumos do programa e, alguns meses depois, o autor de Dorian Gray foi substituído pela rotunda Kelly Osbourne. Em 1998, Oscar Wilde envolveu-se em outro escândalo quando foi preso em um banheiro público, de Los Angeles, na companhia do cantor George Michael. A dupla foi acusada de atentado gravíssimo ao pudor e Wilde foi condenado a dois anos de prisão – data deste período a publicação de uma de suas principais obras: Garganta Profundis. Após deixar a prisão, Oscar Wilde, agora uma celebridade no mundo GLS, assume publicamente seu namoro com Lance Bass (ex-integrante da boy band N’Sync) e passa a colaborar com as principais revistas de moda da Europa e Estados Unidos. Buscando fugir dos holofotes, no final de 2010, Wilde muda-se para o Brasil e torna-se um dos principais membros de nossa redação.


Um metafísico – Metafísico que, valendo-se de alguns axiomas, tenta provar a existência deste hebdomadário e da audiência da TV Escola.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

DESAPARECIDO

“Caros amigos, 
Meu marido desapareceu há dezessete anos, enquanto tentava retornar à Ítaca. Atende pelo nome de Ulisses e foi visto pela última vez tentando inscrever seu carro alegórico no carnaval de rua de Tróia. Temo que tenha se perdido no inferno (ele costumava, quando varão solteiro e astucioso, freqüentar um bar nessas redondezas). Ele sofre de sérios problemas mentais e, quando não toma sua medicação corretamente, julga-se capaz de falar com os deuses. Tenho esperanças de que bons ventos ainda o trarão de volta – afinal, quem vai pagar a faculdade de Telêmaco? Qualquer informação sobre o paradeiro de Ulisses é bem-vinda” Penélope

domingo, 19 de agosto de 2012

Epístola ao Leitor

Nos últimos meses, enquanto os brasileiros tinham os olhos voltados para seus televisores (e as mãos voltadas para o baixo ventre), onde ocorria a final do Concurso Musa da CPI, entre a advogada Denise Rocha e o senador Demóstenes Torres, e nas universidades federais, em toda extensão da Terra Brasilis, professores e servidores paralisavam suas atividades decretando uma greve com slogans capazes de levar às lágrimas o mais empedernido bolchevique e deixar insone o mais frio e pródigo burguês, nós, de Paliativo Estético, trabalhávamos incansavelmente, selecionando cada sentença, cinzelando arduamente cada mesóclise, para levar até você, caro leitor (isto é, mamãe), o melhor do jornalismo cultural brasileiro. Assim, após o longo período de silêncio imposto a nossa redação – nosso editor-chefe era mudo – e encerrado o dispendioso processo por intoxicação alimentar, do qual fomos alvos, retornamos dos porões da imprensa nacional, inteiramente reformulados, contando, agora, com um seleto grupo de redatores, colaboradores de renome internacional, um poeta parnasiano e a mais aguardada coluna do jornalismo nacional.                Comunicamos, contudo, com grande pesar que, nesse extenso período em que nossa redação se viu imobilizada, apareceram alguns incautos imitadores, que tentaram macular a (inexistente) reputação deste hebdomadário digital. Não se deixe enganar, prezado leitor, só o Paliativo Estético original apresenta no centro de sua página, como marca d’água, o busto de nosso patrono e musa, Rui Barbosa:


domingo, 10 de junho de 2012

Lei que proíbe Filosofia de Boteco deve gerar polêmica em Porto Alegre


Porto Alegre – O prefeito de Porto Alegre, no RS, sancionou, nesta sexta-feira (08), em total acordo com a Secretária Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), a lei que proíbe a exasperante prática da filosofia barata em bares da cidade. Em meio a muita polêmica a lei, que deve entrar em vigor já na próxima semana, gera divergência entre governo, empresários e freqüentadores de bares.
De acordo com a nova lei fica expressamente proibida a emissão de pretensiosas proposições acerca de Política, Estética, Ética e, é claro, Metafísica, em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais (como cafés ou livrarias). O comerciante, Wilson Fernandes, dono do bar Papo Diletante (principal ponto de encontro de jovens universitários em Porto Alegre) vê com bons olhos a medida, não obstante temer a perda alguns clientes. “Me sinto um pouco dividido, pois receio que a molecada que freqüentava o bar, agora buscará um outro lugar para se reunir (talvez o Facebook)”, confessa Wilson. “Porém, trabalhar sem ter de ouvir um adolescente planejando um piquete contra o AI-5 ou questionando a causação em Hume, será, certamente, reconfortante”, regozija-se o dono do bar. No entanto, nem todos pensam desta maneira. Para o estudante de Ciências Sociais, na UFRGS, Marcos Goulart (23), a lei é um ataque, absurdo, à liberdade de expressão: “Weberianamente, falando, essa lei é parte de todo um aparelho repressor, organizado por um estado que, valendo-se da noção de racionalidade (...)” felizmente, no momento em que o estudante iniciaria um arrazoado acerca da relação entre o panóptico foucauldiano e os bares da capital gaúcha, um fiscal da Smic, que passava próximo ao local onde nossa equipe realizava a reportagem, decidiu pôr em prática a polêmica lei, com alguns dias de antecedência, e retirou o jovem dali - não sem antes confiscar sua Coleção Filosofinhos.  

domingo, 25 de março de 2012

Amazônia Oriental passa por processo de ocidentalização, afirmam especialistas



A queda da Cerca que dividia a Amazônia Oriental da Amazônia Ocidental, em janeiro deste ano, levou milhares de pessoas às ruas, ao redor de todo o mundo, em comemoração ao fim de 28 anos de repressão sofrida pela população no lado oriental. Agora, quase dois meses depois, os primeiros reflexos da queda da cerca já podem ser observados. No final de fevereiro, a famosa rede de fast-food McDonalds instalou uma franquia, na região do Rio Tapajós, empregando mais de 50 mundurukus. “Mim gostar de Big Mac”, afirmou Ajuricaba Nheengatu, chefe da tribo e agora gerente da lanchonete. E ainda em fevereiro, foi anunciada a construção de um shopping center, abrigando mais de 215 lojas, de diversos ramos, no município de Oiapoque, gerando mais de 800 vagas na região. O presidente das lojas Zara no Brasil, Juanito Verdugo, vê com bons olhos uma pareceria entre a loja e a mão-de-obra disponível na região. “Estudos realizados - por nossos especialistas – comprovam que a habilidade manual desenvolvida pelos garimpeiros mestiços, da região, é de grande utilidade para a colocação de zíperes em calças jeans”, comemora o empresário.
            A abertura política também revelou ao mundo o lado sombrio da Amazônia Oriental. Enquanto alguns maitapus enterram o passado de opressão, sob gargalhadas, assistindo pela primeira vez, desde a abertura política, a episódios de Friends e Two and Half Men, os tupinambás, exigem junto ao Ministério da Justiça a abertura dos arquivos registrados durante o período do regime ditatorial. Segundo eles, esses documentos produzidos e armazenados pela Apoema (a organização de polícia secreta e inteligência da Amazônia Oriental), detalhariam quais ocas eram mantidas sob vigilância, durante a vigência da Cerca da Amazônia, e ainda revelaria o paradeiro do Caipora, que poucos meses antes fora preso tentando deixar a Amazônia Oriental. 

Fotos da Cerca da Amazônia:




sexta-feira, 16 de março de 2012

Vodka Raskólnikov




A CONSCIÊNCIA CULPADA NÃO DEIXA VOCÊ DORMIR?


O CORPO ESQUARTEJADO, DAQUELA SENHORA USURÁRIA, AINDA É UMA PRESENÇA CONSTANTE EM SEUS PESADELOS?


VOCÊ ESTÁ QUASE CEDENDO À TENTAÇÃO DE CONFESSAR SEUS
CRIMES?



VOCÊ PRECISA EXPERIMENTAR A FAVORITA DOS HOMENS EXTRAORDINÁRIOS:

VODKA RASKÓLNIKOV
VODKA RASKÓLNIKOV: PARA BEBER SEM CULPA

Se beber, mantenha-se longe de machadinhas.




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Grandes nomes revolucionários marcam presença no SPFW



O São Paulo Fashion Week vem se destacando, a cada temporada, por sua ousadia: se, em 2011, o grande diferencial do evento foi sua realização na reitoria da Universidade de São Paulo (USP) (confira as fotos abaixo), a edição deste ano foi literalmente revolucionária, ao contar com a presença de nomes como: Che Guevara, Mao Tsé-Tung e Vladimir Ilitch Lênin (mais conhecido como Lenine).
            Percebendo o forte apelo que o mundo fashion e as revoluções comunistas tem entre o público universitário, o visionário do universo da moda, Karl Lagerfeld, em uma inusitada parceria com três dos principais nomes quando o assunto é guerrilha socialista, trouxe ao Brasil uma coleção Outono-Inverno inspirada em temas de famosas insurreições. Che Guevara, que assina a coleção “Communist is the new Hipster”, tendo como tema os guerrilheiros de Sierra Maestra, trouxe às passarelas brasileiras looks em que os tons de verde e cáqui dominam a cartela de cores, ao lado das estampas camufladas, resgatando o estilo militar. Além de diferentes modelos de coturnos e jaquetas de sarja, próprios para o it boy que pretende armar uma emboscada nas florestas caribenhas. Os acessórios ficaram por conta das boinas e submetralhadoras Uzi. Já o russo, Vladimir Lênin, inspirado pelo intenso frio das prisões da Sibéria, apostou, com a coleção “Bolshevik wannabe”, em muita lã: de sobretudos a pesados tricôs. Sem deixar de lado os diversos modelos de ushanka (típico chapéu russo), com os quais os modelos desfilaram. “Se depender da minha coleção, comunista algum vai passar frio na hora do fuzilamento”, disse Lenine à imprensa. A coleção “We are socialists now”, assinada pelo chinês Mao Tsé-Tung (que encerrou o desfile em grande estilo, com muitos feridos e centenas de pessoas enviadas a campos de trabalho forçado), nos remeteu às táticas e ações da Guarda Vermelha, abusando de muitos looks vermelhos e de extrema violência. 

Confira as fotos do SPFW:















segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011 (com algumas semanas de atraso)





Filme sobre presidente Lula é favorito no Oscar

O filme O discurso do rei, que aborda um momento de crise do governo Lula, foi o grande destaque da 83ª edição do Oscar. O filme, que retrata a dura luta travada pelo ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, contra o analfabetismo, recebeu o Oscar de Melhor Filme e o ator Nuno Leal Maia, que interpreta Pasquale Cipro Neto, o professor de português que a duras penas tenta alfabetizar o presidente, foi indicado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante.


Black or White

            O escritor brasileiro Machado de Assis submeteu-se, no dia 10 de setembro, a um arriscado procedimento cirúrgico visando alterar a pigmentação de sua pele. Após a cirurgia, o escritor deixou o hospital na companhia da esposa, Carolina Augusta, e dirigiu-se diretamente à sua casa, no bairro do Cosme Velho, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde recebeu a visita de amigos. Machado de Assis e Carolina recusaram-se a falar com a imprensa. O médico responsável pela cirurgia, Dr. Robert Rey (o famoso “Dr. Hollywood”), considerou o procedimento um sucesso e afirmou que é cada vez maior o número de artistas que vêm procurá-lo visando corrigir ou alterar detalhes do corpo que lhes deixam descontentes. “Em 2008, por exemplo, realizei a décima reconstrução do hímen de Hilda Hilst”, confessou orgulhoso o Dr. Rey. A cirurgia do presidente da Academia Brasileira de Letras dividiu a comunidade literária. Para o integralista Plínio Salgado, a decisão de Machado foi sensata. “Graças a Deus!”, declarou o líder da Ação Integralista Brasileira (AIB). Já, o também escritor, Lima Barreto criticou a postura do autor de Quincas Borba, não obstante considerá-la previsível. “Joca (alcunha de Machado de Assis entre os colegas de profissão) sofreu, desde a infância, daquilo que a psiquiatria convencionou chamar de ‘Complexo de Michael Jackson’, isto é, um desejo patológico de ser branco”, comentou o autor de Policarpo Quaresma, “lembro que, quando éramos garotos, nós (as crianças pobres, negras ou mulatas) convidávamos Joca para jogar gude e ele esnobava-nos, preferindo soltar pipa*”.

*Até meados do século XX, soltar pipa – ou pandorga, como é conhecida em algumas regiões do Brasil –, era considerada a brincadeira típica da elite carioca. Para maiores detalhes ver:  ARIÈS, Philippe. Ceci n’est pas une pipa. Paris: Gallimard, 1994.


Morre um filósofo

            O Brasil amanheceu de luto no dia 4 de dezembro. Por volta das 4h30, da madrugada de domingo, o filósofo grego, Sócrates, de 57 anos, morreu no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo, onde estava internado há quatro dias. Segundo o boletim médico, o baluarte do pensamento ocidental faleceu vítima de uma hemorragia digestiva decorrente do consumo prolongado de cicuta. Sócrates atuou como filosofo na Grécia Antiga e, apesar de não ter deixado nenhuma obra escrita, é considerado, por seus sucessores, o grande desportista da argumentação. De acordo com a esposa do filósofo, Xantipa, o corpo dele será enterrado no Cemitério Tânatos, em Atenas. O enterro está marcado para as 17h. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Organizadores comemoram sucesso dos 100 metros rasos filosóficos

Tendo em vista o êxito, em Porto Alegre, da Maratona Literária (prova na qual escritores gaúchos, de diferentes estilos, percorrem um trajeto de 10 km, partindo da Oficina de Criação Literária do Assis Brasil e tendo como linha de chegada a consagração no estúdio do Programa Radar, na TVE – a maratona já está em sua 5ª edição e visa arrecadar fundos para a Sociedade Gaúcha do Escritor Meão), um seleto grupo de intelectuais porto alegrenses, em parceria com a Sociedade Kant Brasileira e a iniciativa privada, organizou neste domingo, dia 13, a primeira edição dos 100 metros rasos filosóficos. Contando com a participação de corredores ilustres, como Sócrates e Jean-Paul Sartre, o evento foi um sucesso, segundo seus organizadores.
Partindo do departamento de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, rumo a lugar algum, filósofos existencialistas, estruturalistas, medievos e clássicos, perderam o fôlego na prova. O público, que apostava no êxito dos peripatéticos, saiu frustrado – Aristóteles e alguns discípulos atrapalharam-se com alguns silogismos, logo na largada, e sequer concluíram a corrida. O resultado da prova foi submetido à rigorosa exegese, depois que o campeão, Aldous Huxley, foi acusado de dopping e o segundo lugar, Louis Althusser, foi detido pela polícia, ainda no pódio, sob suspeita de assassinato (a Interpol acredita que Althusser é o responsável pela morte de sua esposa, encontrada há seis dias, no apartamento do casal, com um corte epistemológico na garganta). A grande surpresa da prova foi o alemão Ludwig Feuerbach: o autor de A essência do cristianismo, era apontado como o principal azarão da corrida, contudo Feuerbach, com o auxílio do jovem Hegel (que devido a uma indisposição gástrica não pode correr), chegou em terceiro lugar. Não obstante os 100 metros rasos filosóficos terem obtido recorde de público, algumas polêmicas cercaram a prova. O alemão Immanuel Kant (duas vezes campeão na Maratona de Amolação de Königsberg), logo após o fim da maratona, publicou uma dissertação na qual argumentava que sua vitória era garantida a priori, já o sofista Protágoras, declarou, em tom de brincadeira, que o resultado da prova era relativo.
Nossa redação esteve na cobertura do evento e conseguimos conversar com um dos participantes, o francês Merleau-Ponty, que no último momento desistiu da competição, alegando preferir “perder-se no emaranhado perceptual dos outros – competidores”. Outro conterrâneo de Merleau-Ponty, René Descartes, trocou algumas palavras com este hebdomadário e atribuiu sua derrota a suspeita de que talvez "toda a prova não passasse de uma armação de um Deus enganador" – ou de seus credores.
Os 100 metros rasos filosóficos tiveram o patrocínio do Bar Pangloss – o melhor dos bares possíveis, sua nova opção na noite porto alegrense.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Paliativo Estético - a origem


Paliativo Estético é um hebdomadário cultural apenas porque assim o classificamos, posto que não apresenta qualquer rigor e/ou compromisso com uma publicação semanal.
Surgido em meados da década de 60 (originalmente como uma revista publicada mensalmente) Paliativo Estético era apontado como um dos principais órgãos da imprensa marrom – o que era estranho, posto que a revista publicava, quase exclusivamente, artigos científicos. A revista obteve pouco, ou nenhum, sucesso de público, até a edição de março de 1971, que trazia uma entrevista exclusiva com, o então Presidente da República, Emílio Médici, em férias na Itália em companhia de um antigo colega do Colégio Militar, Recruta Zero. A longa entrevista revelava um lado de Médici desconhecido do grande público: ao contrário do general turrão e tirânico, somos apresentados a um sujeito bem-humorado, galanteador, que praticava Pilates com o mesmo empenho que empregava para torturar militantes da esquerda. A reportagem (a polêmica capa trazia uma foto de Médici, à sombra da torre de Pisa, lambuzando-se com um magnífico gelato), provoca a ira dos militares e, em 10 de março de 1971, a revista Paliativo Estético é retirada de circulação e sua redação fechada, o que provocará uma verdadeira diáspora entre seus membros (para maiores informações ver arquivos do DOPS de 71/72). O revisor e lexicógrafo, José Geraldo Mourão, encontra abrigo na redação da revista Coquetel, elaborando palavras-cruzadas (hoje Geraldo Mourão exibe, em sua estante, dois Prêmios Aurélio Buarque de Holanda de Palavras-Cruzadas); já o redator-chefe da revista, o astrólogo Maneco Manfredini, é preso e seu ascendente em escorpião torturado e morto (Maneco luta na justiça até hoje, exigindo uma indenização pelos insucessos amorosos que vem sofrendo desde a perda de seu ascendente); e os dois principais redatores, o jornalista Ibraim Menezes e o onanista Jundiá, recebem asilo político em Maquine (RS), onde fundam a Revista UFO, publicação assumidamente marxista (apontada por muitos críticos como a resposta brasileira à New Left Review) e uma das principais opositoras do regime militar. Encerrando assim, por quase uma década, as atividades de uma revista que, de pioneira, nada tinha. 
            Na década de 80 alguns intelectuais obstinados tentam, sem sucesso, ressuscitar a revista. No entanto, após apenas três edições, disputas internas (datilógrafos empiristas opunham-se aos revisores racionalistas) acarretam novamente a dissolução da publicação.
            Agora, em 2011, assumindo o formato digital, Paliativo Estético está de volta. Sob os auspícios do renomado e diletante pensador português, João da Ega (sócio majoritário de um conglomerado que inclui, além deste hebdomadário digital, uma editora, um alambique e uma mesa de pingue-pongue) Paliativo Estético tem sua redação composta por dois ex-roteiristas do humorístico da Rede Globo, Jornal Nacional, um filósofo analítico (cuja função é ainda desconhecida), além de um renomado missólogo da Universidade de Massachusetts (que “vem apostando todas as suas fichas no Ceará, como o novo pólo nacional de fabricação de misses”, segundo suas próprias declarações).










terça-feira, 20 de setembro de 2011

Índice Dow Jones despenca em NY matando quatro pessoas e deixando outras seis feridas


Nova York, 20 set. – Economistas trabalham, desde as primeiras horas da manhã, no local onde o índice Dow Jones despencou, nesta madrugada, em Wall Street. O desabamento teria sido provocado pelo estouro de uma bolha financeira, no mercado de imóveis, que funcionava logo abaixo do índice, segundo o The Wall Street Journal. Quatro pessoas morreram e pelo menos outras seis ficaram gravemente feridas, incluindo banqueiros e acionistas.