
De acordo com a nova lei fica expressamente proibida a emissão de pretensiosas proposições acerca de Política, Estética, Ética e, é claro, Metafísica, em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais (como cafés ou livrarias). O comerciante, Wilson Fernandes, dono do bar Papo Diletante (principal ponto de encontro de jovens universitários em Porto Alegre ) vê com bons olhos a medida, não obstante temer a perda alguns clientes. “Me sinto um pouco dividido, pois receio que a molecada que freqüentava o bar, agora buscará um outro lugar para se reunir (talvez o Facebook)”, confessa Wilson. “Porém, trabalhar sem ter de ouvir um adolescente planejando um piquete contra o AI-5 ou questionando a causação em Hume, será, certamente, reconfortante”, regozija-se o dono do bar. No entanto, nem todos pensam desta maneira. Para o estudante de Ciências Sociais, na UFRGS, Marcos Goulart (23), a lei é um ataque, absurdo, à liberdade de expressão: “Weberianamente, falando, essa lei é parte de todo um aparelho repressor, organizado por um estado que, valendo-se da noção de racionalidade (...)” felizmente, no momento em que o estudante iniciaria um arrazoado acerca da relação entre o panóptico foucauldiano e os bares da capital gaúcha, um fiscal da Smic, que passava próximo ao local onde nossa equipe realizava a reportagem, decidiu pôr em prática a polêmica lei, com alguns dias de antecedência, e retirou o jovem dali - não sem antes confiscar sua Coleção Filosofinhos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário