Retrospectiva 2012

Relembre as principais notícias e eventos de 2012.

Música

Trombeteiros do Juízo Final reclamam da falta de oportunidade de empregos após fracasso do evento. "No Réveillon tivemos de tocar em um buffet, no Ceará", lamenta um dos músicos.

Economia

Após cancelamento do evento, filatelistas estimam queda nos valores dos selos do Apocalipse.

Mundo

Paquistão antecipa-se e inicia queima de fogos dois dias antes da virada do ano.

Cinema

Depois do sucesso de audiência do Julgamento do Mensalão, Marcos Valério foi convidado a interpretar Lex Luthor em novo filme do Homem de Aço.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Lévi-Strauss lança manual de etiqueta




“A mitologia ameríndia está repleta de personagens proscritos por não se portarem adequadamente à mesa”, assim o antropólogo francês, Claude Lévi-Strauss, inicia seu manual de etiqueta, A origem dos modos à mesa, lançado no Brasil pela editora Cosac Naify. Escrito de forma leve e bem-humorada, no jargão estruturalista, o livro reúne uma série de dúvidas, dos índios bororos, sobre bons modos à mesa.
Partindo do princípio de que “Não é porque se vive seminu, no meio do Mato Grosso, que se deve usar o garfo de salada na carne”, Lévi-Strauss fornece valiosas dicas aos bororos que pretendem circular pelas mais diversas ocas e sobreviver à saias-justas, sem cometer gafes, pois como afirma no final do livro: “Quando o assunto é etiqueta à mesa, significante e significado estão SEMPRE intimamente relacionados”.
O livro representa um novo passo na carreira do estruturalista francês que, anteriormente, enveredara pelo caminho da culinária exótica, com O Cru e o Cozido (na década de 60, Lévi-Strauss chegou a apresentar um programa na televisão francesa, no qual ensinava receitas ameríndias típicas) e, alguns anos mais tarde, do turismo, com seu Tristes Trópicos – Guia turístico para estudantes de antropologia – até hoje seu maior êxito editorial.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Quem somos nós?


Ao contrário do que você possa imaginar, estimado leitor, o presente texto não é um encômio ao documentário homônimo (produzido unicamente com a força do pensamento), que visava demonstrar como a física quântica pode auxiliar na preparação de uma deliciosa paella. Não. O presente texto pretende apenas saciar a curiosidade de nossos dois leitores, apresentando-lhes os membros que compõem nossa redação.


Barba Ruiva – Iniciou sua carreira no jornalismo e na pirataria sob a alcunha de Barba Negra, contudo uma acusação de racismo, o obrigou a alterar seu epíteto para Barba Ruiva. Trabalhou como repórter policial na extinta TV Tupi, de onde foi expulso após acusações – nunca provadas – de pilhagem. No final da década de 80 apresentou o saudoso talk show, Papagaio de Pirata, nas madrugadas da Rede Globo, no qual recebia convidados do mundo da rapinagem como o perneta Long John Silver e Paulo Maluf. Com seu estilo truculento e sanguinário, Barba Ruiva logo abocanhou o cargo de crítico literário em nosso hebdomadário e sua coluna é, hoje, uma das mais temidas do jornalismo cultural brasileiro.





Juanito Capote – Filho ilegítimo de Archulus Persons (pai de Truman Capote) e Consuela Carillo, uma mexicana que vivia ilegalmente sob a mesa de James Thurber, na The New Yorker, Juanito Carrillo, assume aos 25 anos o sobrenome artístico do irmão famoso e torna-se editor-chefe do boletim informativo do cartel mexicano Los Zetas. Durante anos, Juanito alegou ter sido ele, e não o irmão, o criador do chamado Novo Jornalismo (chegando mesmo a brigar na justiça para provar a autoria do gênero), até que, em 2005, percebeu que criara, na verdade, uma nova receita de guacamole. Em 2007, Juanito Capote muda-se para o Brasil e assume a seção de astrologia da revista Caros Amigos. Atualmente é nosso editor de política imigratória, além de colaborar frequentemente com as revistas Fronteiras – a revista do imigrante ilegal e Sombrero – Revista do Mexicano Estereotipado.


Catulo – Começou sua carreira de ilustrador desenhando pequeninos falos (certamente resquícios de sua herança minimalista) nos banheiros da Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual se formou com honrarias, ao apresentar no curso de Engenharia Cartográfica um suposto mapa da cidade perdida de Atlântida (mais tarde se verificou tratar-se de um mapa de Atlanta, a capital do estado norte-americana da Geórgia – a USP, no entanto, nunca desmentiu o feito de seu aluno). Debuta no mundo da arte ao ilustrar o clássico infanto-juvenil Arnold Friedman – Memórias de um pedófilo e, em 2008, Catulo recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Ilustração, por sua versão ilustrada, destinada aos analfabetos, da Bíblia Sagrada. Cartunista de Paliativo Estético desde sua fundação, Catulo já teve seu trabalho exposto no MASP, no Memorial JK e no quarto da minha esposa.




Um homem de amarelo – Um homem que passou a integrar nossa redação graças ao programa do governo federal que garante cotas às pessoas vestidas de amarelo. Sua coluna doe.














Oscar Wilde – Janota, homossexual e colunista de moda deste hebdomadário digital, Wilde estreou no jornalismo apresentando, ao lado da comediante Joan Rivers, o programa Fashion Police, no qual satirizava as roupas das celebridades. Contudo, um gracejo do escritor irlandês acerca das plásticas de Rivers, alterou os rumos do programa e, alguns meses depois, o autor de Dorian Gray foi substituído pela rotunda Kelly Osbourne. Em 1998, Oscar Wilde envolveu-se em outro escândalo quando foi preso em um banheiro público, de Los Angeles, na companhia do cantor George Michael. A dupla foi acusada de atentado gravíssimo ao pudor e Wilde foi condenado a dois anos de prisão – data deste período a publicação de uma de suas principais obras: Garganta Profundis. Após deixar a prisão, Oscar Wilde, agora uma celebridade no mundo GLS, assume publicamente seu namoro com Lance Bass (ex-integrante da boy band N’Sync) e passa a colaborar com as principais revistas de moda da Europa e Estados Unidos. Buscando fugir dos holofotes, no final de 2010, Wilde muda-se para o Brasil e torna-se um dos principais membros de nossa redação.


Um metafísico – Metafísico que, valendo-se de alguns axiomas, tenta provar a existência deste hebdomadário e da audiência da TV Escola.


domingo, 19 de agosto de 2012

Volume reúne correspondência de Espinosa inédita no Brasil


O filósofo holandês, Baruch de Espinosa, trocou uma extensa correspondência, ao longo de sua vida, com os principais intelectuais de seu tempo, de geômetras a barbeiros-cirurgiões. Estas cartas (por muitos estudiosos consideradas essenciais para a compreensão do pensamento do filósofo) até então estavam indisponíveis ao público brasileiro, no entanto a editora Martins Fontes juntamente com a professora de filosofia Marilena Chauí pretendem reverter essa situação: em setembro deve chegar às livrarias brasileiras o volume reunindo a correspondência completa do pensador holandês. Nossa redação conversou com os tradutores e teve acesso aos originais, desta feita, enquanto o livro não é lançado, oferecemos a vocês, em primeira mão, algumas dessas cartas.
Ao final da postagem o leitor encontrará um pequeno glossário de termos iídiches gentilmente elaborado pelo Rabino Berkowitz (sob a módica quantia de 50 reais por caractere).


CARTA Nº 3
(sem data; provavelmente entre agosto e setembro de 1661 – ou 1654)


Ao mui nobre e sábio Gottfried Leibniz

Ilustríssimo senhor,

Podeis julgar por vós mesmos quão grata é para mim vossa amizade, desde que vossa modéstia permita que vos volteis para vossas inúmeras qualidades – dentre as quais, nobre amigo, não está inclusa, infelizmente, vossa caligrafia. Deveis aprimorá-la urgentemente, do contrário será impossível continuarmos a correspondermo-nos. Recordai que mamãe lê toda correspondência que recebo – os hieróglifos (sic) de sua última carta, sobre as Mônadas, foram interpretados por mamãe como “gônadas”, o que quase lhe causou uma apoplexia e me deixou uma semana de castigo, impedido de brincar com meus postulados. Pedíeis também, em vossa epístola, que vos comunicasse o que penso sobre o infinito. Fá-lo-ei de bom grado, meu amigo.
A questão do infinito sempre pareceu dificílima para todos, até mesmo inextricável, porque rejeitaram a possibilidade de satisfazer-se com seu kike, ao invés de desperdiçarem suas vidas com estas discussões estéreis. A questão que realmente exige nosso empenho e lume é a que diz respeito a como conquistar o coração e o conatus da bela shiksa que conheci ontem. Mamãe e eu voltávamos de um tedioso Bar Mitzvah, quando minha rotunda progenitora expôs a necessidade de novas anáguas. Irritadiço (mamãe não mo permitira comer em demasia no Bar Mitzvah) a acompanhei a uma alfaiataria qualquer e foi lá, prudente amigo, em meio à chiffons, rendas e musselinas, que vi a bela gói (e que gracioso busto, meu – provavelmente – excitado amigo, tive ímpetos de penetrar-lhe o conatus). Felizmente mamãe nada percebeu – ela jamais permitiria que eu sofresse uma afecção, no baixo ventre, provocada por uma shiksa.


CARTA Nº 71
(Amsterdam, 20 de outubro de 1663)

Ao mui sábio e cultivado René Descartes

Meu excelente amigo,

Recebi duas cartas tuas, uma de 11 de setembro (que me foi entregue por nosso ébrio amigo, G. A. Heineken) e outra de 20 de março (enviada de Leyden por um pombo correio). Ambas me encheram de alegria, sobretudo porque compreendi que sou um filósofo superior a ti (aceitaste, finalmente, o fato de minha Ética figurar na lista dos mais vendidos, do The Netherlands Times, ao passo que teu fastidioso Discurso sobre o método para bem conduzir a razão na busca da verdade dentro da ciência recebeu apenas uma nota em um jornaleco parisiense – tão ínfima que comportou apenas o título de sua obra). Não esmoreças, aborrecido amigo, teu tratado revelou-se uma cura aos insones. Contudo preocupam-me algumas de tuas declarações.
Confessaste, na última epístola, que tens evitado, há algumas semanas, deixar o leito posto que duvidas da existência, não só de teu aconchegante quarto, como de tuas confortáveis pantufas. Afirmaste ainda que julgas que todas estas coisas não passam de falsas percepções, elaboradas por um Gênio Maligno, disposto a iludi-lo continuamente (“um gênio maligno, que é ao mesmo tempo sumamente potente e enganoso, empregue todo seu talento para lograr a mim. Vou acreditar que o céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons e todas as demais coisas externas são nada mais do que ilusões de sonhos, que esta criatura emprega para me iludir”). Consideradas as premissas por ti apresentadas, meu esquizofrênico amigo, concluo que tu não passas de um shkotz, um desatinado. Desconfio de que, durante tua estadia em minha querida Amsterdam, estiveste em um dos nossos afamados coffeeshops (mamãe me fez prometer que eu jamais poria os pés neste tipo de estabelecimento), onde exóticas ervas são consumidas, provocando o turvamento da razão, semelhante ao descrito por ti, meu lunático amigo.
            Deixo-te agora na companhia de ton ami, Gênio Enganador, porque tenho importantes afazeres (lamento informá-lo, ilustre senhor, contudo a Holanda continua se mostrando mais do que uma percepção enganosa, infelizmente): prometi ajudar mamãe com os preparativos para o Chanukah.


1 Esta é, talvez, a carta mais importante da correspondência espinosana. Nela o filósofo refuta a                                                                teoria do conhecimento cartesiana, exposta nas Meditações.



Glossário

KIKE: diminutivo carinhoso para pênis.
SHIKSA: rapariga não judia.
SHKOTZ: doido, sem miolos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cid Moreira narra "Crítica da Razão Pura"

Após imortalizar belíssimas passagens, como “Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo”, com sua inconfundível voz tonitruante, Cid Moreira anunciou, em seu twitter, que pretende presentear seus fãs e o mundo acadêmico, com a narração de um clássico da literatura filosófica: a Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant. “Eis chegada a hora. Príncipe negro do Idealismo, Senhor de todos os argumentos sintéticos a priori, conte-nos tudo, não sofisme” (@mistercidão), publicou o apresentador.
            Paliativo Estético esteve em Taubaté (SP), cidade natal de Cid Moreira, e conversou com o apresentador, enquanto este se preparava para a gravação dos comentários do DVD Mr. M: tears of the wizard. Segundo Cid Moreira, existe uma grande similitude entre a Crítica da Razão Pura e a Bíblia Sagrada, motivo que o levou a empreender a narração desse monumento filosófico. “A meu ver, a CRP está para os acadêmicos como a Bíblia está para os cristãos: não obstante suas passagens, até hoje, ininteligíveis, seus textos são, em sua quase totalidade, inquestionáveis”, explicou o locutor e apresentador, com sua voz prenhe de emoção e significados. “Vejo Kant como a antítese de Mister M – enquanto o Mago de Todos os Sortilégios revela-nos o que está por trás de toda a prestidigitação, o Príncipe Negro de Königsberg, esforça-se, como um mágico, por ocultar do espectador, toda a simples verdade, existente por trás de seus truques”, concluiu Cid Moreira.

Ainda nesta edição:
- uma deliciosa receita de pão ázimo com o escritor norte-americano Philip Roth;
- e Benito Mussolini grava CD com famosas canções românticas italianas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Inania Verba - Repositório digital de teses e dissertações

Em vista do grande número de cartas, e-mails e até um manuscrito (encontrado em uma garrafa), recebidos em nossa redação, solicitando a publicação e/ou divulgação de trabalhos científicos, produzidos no Brasil e no exterior, nós, do Paliativo Estético, decidimos criar um repositório digital de teses e dissertações, o Inania Verba. No entanto, devido à atual crise financeira e intelectual sofrida pela CAPES e CNPq, acadêmicos das principais instituições universitárias do país sofreram graves cortes em suas verbas, o que os obrigou a produção apenas de Abstracts.
Inauguraremos o Inania Verba com a publicação do resumo do mestre em filosofia política e doutorando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Parmênides da Anunciação. Eis seu abstract:


O presente trabalho visa apresentar uma descontraída e reveladora entrevista com o Espírito Absoluto hegeliano. Vestindo uma camisa de hibiscos e havaianas, o Espírito Absoluto mostrou-se paciente e humilde, ao contrário da arrogância que, em geral, lhe é atribuída. Com muito bom-humor o Espírito Absoluto discorreu sobre seus anos de errância como Entendimento, deu detalhes sobre a polêmica na qual se viu envolvido, em 2004, quando tentou afirmar-se como Consciência-de-Si (o caso repercutiu nos principais jornais de Jena) e, pela primeira vez em oito anos, falou sobre seu conturbado relacionamento com a Coisa Em Si.


Palavras-chave: Hegel; Espírito Absoluto; Consciência-de-si; Blenorragia

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Organizadores comemoram sucesso dos 100 metros rasos filosóficos

Tendo em vista o êxito, em Porto Alegre, da Maratona Literária (prova na qual escritores gaúchos, de diferentes estilos, percorrem um trajeto de 10 km, partindo da Oficina de Criação Literária do Assis Brasil e tendo como linha de chegada a consagração no estúdio do Programa Radar, na TVE – a maratona já está em sua 5ª edição e visa arrecadar fundos para a Sociedade Gaúcha do Escritor Meão), um seleto grupo de intelectuais porto alegrenses, em parceria com a Sociedade Kant Brasileira e a iniciativa privada, organizou neste domingo, dia 13, a primeira edição dos 100 metros rasos filosóficos. Contando com a participação de corredores ilustres, como Sócrates e Jean-Paul Sartre, o evento foi um sucesso, segundo seus organizadores.
Partindo do departamento de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, rumo a lugar algum, filósofos existencialistas, estruturalistas, medievos e clássicos, perderam o fôlego na prova. O público, que apostava no êxito dos peripatéticos, saiu frustrado – Aristóteles e alguns discípulos atrapalharam-se com alguns silogismos, logo na largada, e sequer concluíram a corrida. O resultado da prova foi submetido à rigorosa exegese, depois que o campeão, Aldous Huxley, foi acusado de dopping e o segundo lugar, Louis Althusser, foi detido pela polícia, ainda no pódio, sob suspeita de assassinato (a Interpol acredita que Althusser é o responsável pela morte de sua esposa, encontrada há seis dias, no apartamento do casal, com um corte epistemológico na garganta). A grande surpresa da prova foi o alemão Ludwig Feuerbach: o autor de A essência do cristianismo, era apontado como o principal azarão da corrida, contudo Feuerbach, com o auxílio do jovem Hegel (que devido a uma indisposição gástrica não pode correr), chegou em terceiro lugar. Não obstante os 100 metros rasos filosóficos terem obtido recorde de público, algumas polêmicas cercaram a prova. O alemão Immanuel Kant (duas vezes campeão na Maratona de Amolação de Königsberg), logo após o fim da maratona, publicou uma dissertação na qual argumentava que sua vitória era garantida a priori, já o sofista Protágoras, declarou, em tom de brincadeira, que o resultado da prova era relativo.
Nossa redação esteve na cobertura do evento e conseguimos conversar com um dos participantes, o francês Merleau-Ponty, que no último momento desistiu da competição, alegando preferir “perder-se no emaranhado perceptual dos outros – competidores”. Outro conterrâneo de Merleau-Ponty, René Descartes, trocou algumas palavras com este hebdomadário e atribuiu sua derrota a suspeita de que talvez "toda a prova não passasse de uma armação de um Deus enganador" – ou de seus credores.
Os 100 metros rasos filosóficos tiveram o patrocínio do Bar Pangloss – o melhor dos bares possíveis, sua nova opção na noite porto alegrense.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Conrad publica compilação de Logos de von Lenhard

A editora Conrad anunciou a publicação da série em quadrinhos Logos, criada na década de 40 pelo filósofo austríaco Josef von Lenhard em parceria com o premiado artista Will Eisner. Logos chega às livrarias esta semana, aproveitando a publicação das obras completas do filósofo, pela Cia das Letrinhas.
            A HQ, inédita no Brasil, reunirá as principais aventuras do super-herói, até hoje cultuado na Áustria. Lançado em 1946, o primeiro número da série, trazia o ranzinza e franzino professor de lógica, Heinz-Christian Bucher, consumido por um axioma radioativo (enquanto redigia um artigo para uma importante revista acadêmica), adquirindo, assim, super-poderes, tais como a capacidade de identificar argumentos logicamente falsos, ou o aguçado sentido de inferência. O traço primoroso de Eisner aliado ao brilhante texto de von Lenhard, garantiram o sucesso do personagem (segundo o filósofo e lógico-matemático, Willard Quine, Logos “representava para a filosofia do século XX a mesma revolução efetuada, alguns anos antes, pelo Tractatus de Wittgenstein” – Quine, como é sabido, era um grande admirador dos quadrinhos de super-herói e deixou extensos tratados sobre o Besouro Verde) e, no final dos anos 40, von Lenhard era presença constante na Comic-Com de San Diego. Para muitos críticos, a popularidade do herói devia-se a sua caracterização essencialmente humanizada: quando não estava combatendo Irracionalistas, ou submetendo seus alunos a tabelas de verdade, o alter ego de Logos, Heinz-Christian Bucher, entretinha-se acompanhando, pelo rádio, as intensas emoções do Campeonato Europeu de Canastra, ou cortejando – sem muito sucesso – sua paixão platônica, Hannah Arendt. Contudo, no início da década de 50, descontente com o êxito inesperado do personagem (uma importante grife alemã lançou uma linha de anáguas inspiradas na HQ), Josef von Lenhard decide matar Logos, encerrando, dessa forma, a série.
            No início da década de 80, a DC Comics adquire (da extinta editora alemã Chucrute Komiks) os direitos de publicação do personagem e os artistas Frank Miller e Todd McFarlane reúnem-se para lançar a graphic-novel Logos: A saga das proposições logicamente falsas”. Em 87, a produtora Miramax leva às telonas o filme Logos, com Rob Lowe no papel do herói e Molly Ringwald como Hannah Arendt; a produção, dirigida por Adrian Lyne e com trilha sonora assinada pelo grupo Queen, é um retumbante fracasso de público e crítica. De acordo a produtora, Logos (como outros heróis) caíra no esquecimento, em virtude da ascensão da filosofia pós-moderna, o que resultou no mau desempenho do filme, nas bilheterias.
            O primeiro volume de Logos tem 108 páginas e preço sugerido de R$ 49,90.

domingo, 30 de outubro de 2011

Vladimir Safatle fala sobre importância da tradução da obra de von Lenhard

         Aproveitando sua vinda a Porto Alegre, para participar do 25º Encontro Anual de Jovens Hegelianos e Alguns Feuerbachianos (o EAJHAF), o filósofo e professor da USP, Vladimir Safatle, conversou com este hebdomadário digital sobre o lançamento, no Brasil, da obra de Josef von Lenhard (em 1996 Safatle teve recusada, por seu orientador, sua tese sobre o sujeito na obra de von Lenhard, dada a escassez de material, acerca do assunto, disponível em português).

Paliativo Estético – Sua tese, apresentada para a obtenção do título de mestre em filosofia, em 1996, foi recusada por seu orientador na época, o quê o levou a, posterior, exploração do sujeito em Jacques Lacan; segundo suas próprias declarações a tese, de 1996,  sobre o autor de Impotência Lógica foi recusada devido a falta de uma edição em português dos trabalhos deste autor. O que o senhor acha desta, ainda que tardia, publicação no Brasil das obras completas de Josef von Lenhard?

Vladimir Safatle Acho bom.

Paliativo Estético – Obrigado.

Obra de Josef Lenhard ganha edição nacional


Chega às livrarias brasileiras, em novembro, o primeiro volume das obras completas do filósofo austríaco Josef von Lenhard, que traz o famoso tratado Impotência Lógica (Cia. das Letrinhas, 508 pp., R$ 75,00). Considerado um dos principais nomes do “Positivismo Ilógico”, Lenhard é praticamente desconhecido no Brasil, devido à falta de traduções de sua obra (até então os estudantes brasileiros, interessados no pensamento de Lenhard, tinham de se contentar com uma tradução para o cantonês, de 1953).
Nascido em Viena, em 1910, Josef von Lenhard desponta no cenário filosófico, nos anos 30, com a polêmica obra Impotência Lógica, cuja a tese principal é a de que, para Kant, o autoerotismo é uma impossibilidade lógica (isto é, para o filósofo de Königsberg, o “dar-se prazer” é logicamente inválido). Lenhard afirma ainda, provocando a ira de seus conterrâneos do Círculo de Viena, que é possível identificar no pensamento kantiano, a partir de A Paz Perpétua (1795), uma tese que vai ganhando força e redundará no argumento central da Antropologia (1798): não obstante o autoerotismo apresentar-se como uma impossibilidade lógica, na obra de Kant, este não o nega como metafisicamente verdadeiro. Após a publicação de Impotência Lógica, em 1934, Lenhard um dos discípulos mais brilhantes de Moritz Schlick, rompe com o Círculo de Viena, e funda a revista Peraltices Tautológicas, que reunirá os principais representantes do movimento conhecido como “Positivismo Ilógico”, ou Quadrilátero de Viena (dentre eles o filósofo e astro pornô, Jürgen Dürnkrut, e o renomado matemático Peter Barenberg, que, em outubro de 1955, fugirá para o Canadá, para casar-se com uma progressão geométrica). Para o historiador francês, François Dosse, Impotência Lógica nada mais é do que um ataque disfarçado a Moritz Schlick, que, em 1930, seduzira a mãe de Lenhard, valendo-se do princípio do terceiro excluído.
Em 1946, com o boom dos quadrinhos na Áustria, Josef von Lenhard junta-se ao cartunista norte-americano Will Eisner e lança, em agosto daquele ano, Logos, um super-herói que, à serviço da Razão, protege o indefeso discurso filosófico dos malignos planos da Poiesis Heideggeriana. A revista é um sucesso e, em 48, recebe o Cogito Philosophy Industry Awards e o personagem Logos, popular entre crianças e professores de filosofia, ganha uma linha de produtos com seu nome, tais como lancheiras, camisetas, biscoitos recheados, auditórios (na década de 80, Logos é levado ao cinema, com Rob Lowe no papel do herói). Contudo, descontente com o inesperado êxito da personagem, em março de 1950, von Lenhard decide encerrar a revista: retomando, pela última vez, a pareceria com Eisner, lança o episódio final da série, no qual Logos é desconstruído pelo obscuro Dr. Derrida. Por esta mesma época, Josef von Lenhard começa a demonstrar os primeiros sinais das sequelas deixadas por seu vício em mecanismos coesivos sequenciais
Em meados da década de 50, Lenhard iniciará o que chamou de uma “peregrinação metafísica”, que o levará às principais universidades da Europa, na função de professor adjunto. As viagens prosseguem até setembro de 1961, quando, ao desembarcar na França, é confundido com uma falácia lógica e preso. Com a saúde bastante debilitada, Josef von Lenhard não resiste às torturas infligidas pelos guardas da prisão, que obrigam-no a reler a Suma Teológica e, em dezembro desse mesmo ano, o pai do Positivismo Ilógico, falece vítima de uma embolia cerebral, deixando uma vasta e multifacetada obra que, nas palavras de Bertrand Russell, é “um dos maiores monumentos filosóficos do século XX”. 
A tradução para o português, das obras completas de Josef von Lenhard, ficou por conta do professor de filosofia da UFMG Augusto Tavares que, em 1999, traduzira uma elogiada coletânea de haikais eróticos de Wittgenstein.



- Leia, ainda nesta edição, mais notícias sobre Josef Von Lenhard.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Adágios Filosóficos


"Uma pizza sem borda de catupiry é como um sistema metafísico sem Deus." René Descartes

sábado, 30 de abril de 2011

Filósofo Michel Foucault é preso em sauna gay

       Enfant terrible do estruturalismo francês, Michel Foucault, 57 anos, foi preso nesta madrugada, em uma sauna gay que funcionava ilegalmente no 18º arrondissement de Paris.
            Segundo a polícia a sauna, que não possuía licença da Prefeitura, era mantida por argelinos ex-membros da FLN (Frente de Libertação Nacional) que, desde 1962, estavam refugiados nos arredores de Paris, vivendo basicamente da confecção de calças saruel para famosas grifes. Ainda de acordo com a polícia, o estabelecimento não cumpria com as normas de segurança, ao permitir que os extintores de incêndio fossem utilizados de forma lúdica por seus frequentadores. O lugar era também um conhecido ponto de disputa entre estruturalistas e desconstrucionistas.
            Dentre os detidos na sauna, durante a batida policial, estava o polêmico filósofo Michel Foucault. O estruturalista estava visivelmente excitado quando a polícia o encontrou – com o corpo coberto unicamente por uma toalha –, submetendo a rigorosa análise o discurso de um junguiano, ainda não identificado. Junto com Foucault a polícia encontrou, além de uma foto de Mel Gibson, manuais de tortura da Idade Média. O filósofo passou a noite na delegacia e foi liberado mediante fiança. Seu orientando no Collège de France declarou que a prisão de Foucault está intrinsecamente relacionada ao biopoder.
            - Esses filósofos vivem nos dando dor de cabeça – declarou o delegado responsável pela prisão. – Na semana passada prendemos Camus, que estava armado, ameaçando um coitado de um árabe na praia. Merde!