Retrospectiva 2012

Relembre as principais notícias e eventos de 2012.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Lévi-Strauss lança manual de etiqueta




“A mitologia ameríndia está repleta de personagens proscritos por não se portarem adequadamente à mesa”, assim o antropólogo francês, Claude Lévi-Strauss, inicia seu manual de etiqueta, A origem dos modos à mesa, lançado no Brasil pela editora Cosac Naify. Escrito de forma leve e bem-humorada, no jargão estruturalista, o livro reúne uma série de dúvidas, dos índios bororos, sobre bons modos à mesa.
Partindo do princípio de que “Não é porque se vive seminu, no meio do Mato Grosso, que se deve usar o garfo de salada na carne”, Lévi-Strauss fornece valiosas dicas aos bororos que pretendem circular pelas mais diversas ocas e sobreviver à saias-justas, sem cometer gafes, pois como afirma no final do livro: “Quando o assunto é etiqueta à mesa, significante e significado estão SEMPRE intimamente relacionados”.
O livro representa um novo passo na carreira do estruturalista francês que, anteriormente, enveredara pelo caminho da culinária exótica, com O Cru e o Cozido (na década de 60, Lévi-Strauss chegou a apresentar um programa na televisão francesa, no qual ensinava receitas ameríndias típicas) e, alguns anos mais tarde, do turismo, com seu Tristes Trópicos – Guia turístico para estudantes de antropologia – até hoje seu maior êxito editorial.




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Fabrício Carpinejar deverá ser Sloth em refilmagem de Os Goonies




16 jan. - A Warner Bros. Pictures e a Amblin Entertainment (produtora de Steven Spielberg) confirmaram, nesta semana, a presença do poeta (risos) gaúcho, Fabrício Carpinejar, na refilmagem do clássico de 1985, Os Goonies. Na nova versão Carpinejar (que recentemente foi eleito pela revista britânica, Granta, como um dos 10 escritores mais feios do Brasil) deverá interpretar o simpático monstrengo, Sloth. Richard Donner, diretor do original, se disse impressionado com a semelhança física existente entre o poeta (mais risos) gaúcho e a criatura (fruto da equipe de efeitos especiais da Amblin). O poeta (gargalhadas) se disse orgulhoso pelo convite e declarou em seu twitter: “Sloth gosta de chocolate”.
Ainda no Brasil, a Warner Bros. sondou Zé Dirceu para o papel de Mama Fratelli, o petista no entanto declinou, alegando estar envolvido na adaptação cinematográfica de Memórias do Cárcere. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Quem somos nós?


Ao contrário do que você possa imaginar, estimado leitor, o presente texto não é um encômio ao documentário homônimo (produzido unicamente com a força do pensamento), que visava demonstrar como a física quântica pode auxiliar na preparação de uma deliciosa paella. Não. O presente texto pretende apenas saciar a curiosidade de nossos dois leitores, apresentando-lhes os membros que compõem nossa redação.


Barba Ruiva – Iniciou sua carreira no jornalismo e na pirataria sob a alcunha de Barba Negra, contudo uma acusação de racismo, o obrigou a alterar seu epíteto para Barba Ruiva. Trabalhou como repórter policial na extinta TV Tupi, de onde foi expulso após acusações – nunca provadas – de pilhagem. No final da década de 80 apresentou o saudoso talk show, Papagaio de Pirata, nas madrugadas da Rede Globo, no qual recebia convidados do mundo da rapinagem como o perneta Long John Silver e Paulo Maluf. Com seu estilo truculento e sanguinário, Barba Ruiva logo abocanhou o cargo de crítico literário em nosso hebdomadário e sua coluna é, hoje, uma das mais temidas do jornalismo cultural brasileiro.





Juanito Capote – Filho ilegítimo de Archulus Persons (pai de Truman Capote) e Consuela Carillo, uma mexicana que vivia ilegalmente sob a mesa de James Thurber, na The New Yorker, Juanito Carrillo, assume aos 25 anos o sobrenome artístico do irmão famoso e torna-se editor-chefe do boletim informativo do cartel mexicano Los Zetas. Durante anos, Juanito alegou ter sido ele, e não o irmão, o criador do chamado Novo Jornalismo (chegando mesmo a brigar na justiça para provar a autoria do gênero), até que, em 2005, percebeu que criara, na verdade, uma nova receita de guacamole. Em 2007, Juanito Capote muda-se para o Brasil e assume a seção de astrologia da revista Caros Amigos. Atualmente é nosso editor de política imigratória, além de colaborar frequentemente com as revistas Fronteiras – a revista do imigrante ilegal e Sombrero – Revista do Mexicano Estereotipado.


Catulo – Começou sua carreira de ilustrador desenhando pequeninos falos (certamente resquícios de sua herança minimalista) nos banheiros da Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual se formou com honrarias, ao apresentar no curso de Engenharia Cartográfica um suposto mapa da cidade perdida de Atlântida (mais tarde se verificou tratar-se de um mapa de Atlanta, a capital do estado norte-americana da Geórgia – a USP, no entanto, nunca desmentiu o feito de seu aluno). Debuta no mundo da arte ao ilustrar o clássico infanto-juvenil Arnold Friedman – Memórias de um pedófilo e, em 2008, Catulo recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Ilustração, por sua versão ilustrada, destinada aos analfabetos, da Bíblia Sagrada. Cartunista de Paliativo Estético desde sua fundação, Catulo já teve seu trabalho exposto no MASP, no Memorial JK e no quarto da minha esposa.




Um homem de amarelo – Um homem que passou a integrar nossa redação graças ao programa do governo federal que garante cotas às pessoas vestidas de amarelo. Sua coluna doe.














Oscar Wilde – Janota, homossexual e colunista de moda deste hebdomadário digital, Wilde estreou no jornalismo apresentando, ao lado da comediante Joan Rivers, o programa Fashion Police, no qual satirizava as roupas das celebridades. Contudo, um gracejo do escritor irlandês acerca das plásticas de Rivers, alterou os rumos do programa e, alguns meses depois, o autor de Dorian Gray foi substituído pela rotunda Kelly Osbourne. Em 1998, Oscar Wilde envolveu-se em outro escândalo quando foi preso em um banheiro público, de Los Angeles, na companhia do cantor George Michael. A dupla foi acusada de atentado gravíssimo ao pudor e Wilde foi condenado a dois anos de prisão – data deste período a publicação de uma de suas principais obras: Garganta Profundis. Após deixar a prisão, Oscar Wilde, agora uma celebridade no mundo GLS, assume publicamente seu namoro com Lance Bass (ex-integrante da boy band N’Sync) e passa a colaborar com as principais revistas de moda da Europa e Estados Unidos. Buscando fugir dos holofotes, no final de 2010, Wilde muda-se para o Brasil e torna-se um dos principais membros de nossa redação.


Um metafísico – Metafísico que, valendo-se de alguns axiomas, tenta provar a existência deste hebdomadário e da audiência da TV Escola.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

DESAPARECIDO

“Caros amigos, 
Meu marido desapareceu há dezessete anos, enquanto tentava retornar à Ítaca. Atende pelo nome de Ulisses e foi visto pela última vez tentando inscrever seu carro alegórico no carnaval de rua de Tróia. Temo que tenha se perdido no inferno (ele costumava, quando varão solteiro e astucioso, freqüentar um bar nessas redondezas). Ele sofre de sérios problemas mentais e, quando não toma sua medicação corretamente, julga-se capaz de falar com os deuses. Tenho esperanças de que bons ventos ainda o trarão de volta – afinal, quem vai pagar a faculdade de Telêmaco? Qualquer informação sobre o paradeiro de Ulisses é bem-vinda” Penélope

domingo, 19 de agosto de 2012

Volume reúne correspondência de Espinosa inédita no Brasil


O filósofo holandês, Baruch de Espinosa, trocou uma extensa correspondência, ao longo de sua vida, com os principais intelectuais de seu tempo, de geômetras a barbeiros-cirurgiões. Estas cartas (por muitos estudiosos consideradas essenciais para a compreensão do pensamento do filósofo) até então estavam indisponíveis ao público brasileiro, no entanto a editora Martins Fontes juntamente com a professora de filosofia Marilena Chauí pretendem reverter essa situação: em setembro deve chegar às livrarias brasileiras o volume reunindo a correspondência completa do pensador holandês. Nossa redação conversou com os tradutores e teve acesso aos originais, desta feita, enquanto o livro não é lançado, oferecemos a vocês, em primeira mão, algumas dessas cartas.
Ao final da postagem o leitor encontrará um pequeno glossário de termos iídiches gentilmente elaborado pelo Rabino Berkowitz (sob a módica quantia de 50 reais por caractere).


CARTA Nº 3
(sem data; provavelmente entre agosto e setembro de 1661 – ou 1654)


Ao mui nobre e sábio Gottfried Leibniz

Ilustríssimo senhor,

Podeis julgar por vós mesmos quão grata é para mim vossa amizade, desde que vossa modéstia permita que vos volteis para vossas inúmeras qualidades – dentre as quais, nobre amigo, não está inclusa, infelizmente, vossa caligrafia. Deveis aprimorá-la urgentemente, do contrário será impossível continuarmos a correspondermo-nos. Recordai que mamãe lê toda correspondência que recebo – os hieróglifos (sic) de sua última carta, sobre as Mônadas, foram interpretados por mamãe como “gônadas”, o que quase lhe causou uma apoplexia e me deixou uma semana de castigo, impedido de brincar com meus postulados. Pedíeis também, em vossa epístola, que vos comunicasse o que penso sobre o infinito. Fá-lo-ei de bom grado, meu amigo.
A questão do infinito sempre pareceu dificílima para todos, até mesmo inextricável, porque rejeitaram a possibilidade de satisfazer-se com seu kike, ao invés de desperdiçarem suas vidas com estas discussões estéreis. A questão que realmente exige nosso empenho e lume é a que diz respeito a como conquistar o coração e o conatus da bela shiksa que conheci ontem. Mamãe e eu voltávamos de um tedioso Bar Mitzvah, quando minha rotunda progenitora expôs a necessidade de novas anáguas. Irritadiço (mamãe não mo permitira comer em demasia no Bar Mitzvah) a acompanhei a uma alfaiataria qualquer e foi lá, prudente amigo, em meio à chiffons, rendas e musselinas, que vi a bela gói (e que gracioso busto, meu – provavelmente – excitado amigo, tive ímpetos de penetrar-lhe o conatus). Felizmente mamãe nada percebeu – ela jamais permitiria que eu sofresse uma afecção, no baixo ventre, provocada por uma shiksa.


CARTA Nº 71
(Amsterdam, 20 de outubro de 1663)

Ao mui sábio e cultivado René Descartes

Meu excelente amigo,

Recebi duas cartas tuas, uma de 11 de setembro (que me foi entregue por nosso ébrio amigo, G. A. Heineken) e outra de 20 de março (enviada de Leyden por um pombo correio). Ambas me encheram de alegria, sobretudo porque compreendi que sou um filósofo superior a ti (aceitaste, finalmente, o fato de minha Ética figurar na lista dos mais vendidos, do The Netherlands Times, ao passo que teu fastidioso Discurso sobre o método para bem conduzir a razão na busca da verdade dentro da ciência recebeu apenas uma nota em um jornaleco parisiense – tão ínfima que comportou apenas o título de sua obra). Não esmoreças, aborrecido amigo, teu tratado revelou-se uma cura aos insones. Contudo preocupam-me algumas de tuas declarações.
Confessaste, na última epístola, que tens evitado, há algumas semanas, deixar o leito posto que duvidas da existência, não só de teu aconchegante quarto, como de tuas confortáveis pantufas. Afirmaste ainda que julgas que todas estas coisas não passam de falsas percepções, elaboradas por um Gênio Maligno, disposto a iludi-lo continuamente (“um gênio maligno, que é ao mesmo tempo sumamente potente e enganoso, empregue todo seu talento para lograr a mim. Vou acreditar que o céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons e todas as demais coisas externas são nada mais do que ilusões de sonhos, que esta criatura emprega para me iludir”). Consideradas as premissas por ti apresentadas, meu esquizofrênico amigo, concluo que tu não passas de um shkotz, um desatinado. Desconfio de que, durante tua estadia em minha querida Amsterdam, estiveste em um dos nossos afamados coffeeshops (mamãe me fez prometer que eu jamais poria os pés neste tipo de estabelecimento), onde exóticas ervas são consumidas, provocando o turvamento da razão, semelhante ao descrito por ti, meu lunático amigo.
            Deixo-te agora na companhia de ton ami, Gênio Enganador, porque tenho importantes afazeres (lamento informá-lo, ilustre senhor, contudo a Holanda continua se mostrando mais do que uma percepção enganosa, infelizmente): prometi ajudar mamãe com os preparativos para o Chanukah.


1 Esta é, talvez, a carta mais importante da correspondência espinosana. Nela o filósofo refuta a                                                                teoria do conhecimento cartesiana, exposta nas Meditações.



Glossário

KIKE: diminutivo carinhoso para pênis.
SHIKSA: rapariga não judia.
SHKOTZ: doido, sem miolos.

Epístola ao Leitor

Nos últimos meses, enquanto os brasileiros tinham os olhos voltados para seus televisores (e as mãos voltadas para o baixo ventre), onde ocorria a final do Concurso Musa da CPI, entre a advogada Denise Rocha e o senador Demóstenes Torres, e nas universidades federais, em toda extensão da Terra Brasilis, professores e servidores paralisavam suas atividades decretando uma greve com slogans capazes de levar às lágrimas o mais empedernido bolchevique e deixar insone o mais frio e pródigo burguês, nós, de Paliativo Estético, trabalhávamos incansavelmente, selecionando cada sentença, cinzelando arduamente cada mesóclise, para levar até você, caro leitor (isto é, mamãe), o melhor do jornalismo cultural brasileiro. Assim, após o longo período de silêncio imposto a nossa redação – nosso editor-chefe era mudo – e encerrado o dispendioso processo por intoxicação alimentar, do qual fomos alvos, retornamos dos porões da imprensa nacional, inteiramente reformulados, contando, agora, com um seleto grupo de redatores, colaboradores de renome internacional, um poeta parnasiano e a mais aguardada coluna do jornalismo nacional.                Comunicamos, contudo, com grande pesar que, nesse extenso período em que nossa redação se viu imobilizada, apareceram alguns incautos imitadores, que tentaram macular a (inexistente) reputação deste hebdomadário digital. Não se deixe enganar, prezado leitor, só o Paliativo Estético original apresenta no centro de sua página, como marca d’água, o busto de nosso patrono e musa, Rui Barbosa:


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

On the road

A aguarda adaptação cinematográfica, de Walter Salles, do clássico de Jack Kerouac: