Por quatro semanas consecutivas no topo da lista dos mais vendidos, do The New York Times, o livro Deus: uma biografia não autorizada, do jornalista Tom Bower, tem tudo para se tornar o grande best-seller da temporada. O retrato minucioso, em grande parte polêmico, Deste que é apontado, pela revista Forbes, como o segundo homem mais poderoso do mundo (para o antropólogo americano, Clifford Geertz, a queda na popularidade de Deus, se deve ao aparecimento, nas últimas décadas, de novas religiões panteístas e ao rápido crescimento do Google), perdendo apenas para o presidente Barack Obama, vem despertando controvérsias ao redor do mundo.
Bower, conhecido na imprensa como “Coveiro”, por enterrar reputações, deixa claro, desde as primeiras páginas, que sua intenção é abordar temas delicados da vida e da carreira do Altíssimo. Ao longo das quase 800 páginas o biógrafo tenta desvendar como esse Sujeito, cujas origens são ainda um tanto obscuras, ascendeu ao poder de forma misteriosa e, no curto intervalo de um Big Bang, já era dono de um império que envolvia oito planetas, um cinturão de asteróides (adquirido, em 1997, pelo estilista Karl Lagerfeld, em um leilão beneficente) e uma cadeia de restaurantes no Texas. O capítulo mais polêmico do livro é, sem dúvida, o que Bower dedica ao difícil relacionamento do Divino com seu filho, Jesus Cristo. O jornalista teve acesso ao diário que Jesus manteve ao longo de quase toda sua vida (diário este redigido pelo apóstolo e amigo, Mateus, posto que o Messias sofria de um grave distúrbio de fala que lhe possibilitava apenas expressar-se na enfadonha forma de parábolas) e que revela profundos traumas no tocante a figura paterna. A partir dos trechos do diário, reproduzidos por Bower, vemos emergir a figura de um Filho ressentido com um Pai sovina (“É lamentável pensar que meu pai tinha poder o suficiente para pagar a melhor maternidade da Galileia, mas preferiu deixar que meu parto ocorresse naquela humilde estrebaria, em Belém – deve ser por isso que fui apelidado de ‘Rei dos Judeus’”, ironizou o Nazareno) e o retrato de um Pai intransigente, capaz de colocar o Filho de castigo, no deserto, por 40 dias longe da televisão.
Em recente declaração, dada ao The Late Show, Tom Bower confessou que, durante anos, insistiu junto ao porta-voz do Todo-Poderoso, o Papa João Paulo II, solicitando uma entrevista com o alvo de sua biografia, no entanto, segundo o Papa, desde o divórcio com Maria, Deus tem se recusado a falar com a imprensa.
Deus: uma biografia não autorizada contém fotos exclusivas – e raríssimas – das inesquecíveis férias do Altíssimo, em Saint-Tropez (quando, no sétimo dia, Ele descansou), além de depoimentos de amigos, como Santo Anselmo da Cantuária e o músico Frank Sinatra. O livro traz ainda um apêndice com uma entrevista exclusiva com dois famosos desafetos do Divino: Richard Dawkins e Friedrich Nietzsche (que, no século XIX, envolveu-se em uma polêmica ao publicar uma nota, no jornal Gazeta de Leipzig, informando que Deus morrera vítima de um argumento filosófico).
Sobre Deus: uma biografia não autorizada:
“Bower faz o retrato de um Deus tirânico, contudo brincalhão, um Pai onipotente, porém um tanto indolente. Polêmico. Impressionante. O melhor retrato de Deus, desde o Antigo Testamento.” – São João
“É como o corpo de Jó coberto de chagas: você não quer ver, mas é impossível desviar o olhar.” – Moisés
“Achei que meu pai fosse Deus” – Paul Auster
“Não, eu não sou.” – Pai de Paul Auster
Será que já tem alguma editora traduzindo o livro para o português?
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