A editora Conrad anunciou a publicação da série em quadrinhos Logos , criada na década de 40 pelo filósofo austríaco Josef von Lenhard em parceria com o premiado artista Will Eisner. Logos chega às livrarias esta semana, aproveitando a publicação das obras completas do filósofo, pela Cia das Letrinhas.
A HQ, inédita no Brasil, reunirá as principais aventuras do super-herói, até hoje cultuado na Áustria. Lançado em 1946, o primeiro número da série, trazia o ranzinza e franzino professor de lógica, Heinz-Christian Bucher, consumido por um axioma radioativo (enquanto redigia um artigo para uma importante revista acadêmica), adquirindo, assim, super-poderes, tais como a capacidade de identificar argumentos logicamente falsos, ou o aguçado sentido de inferência. O traço primoroso de Eisner aliado ao brilhante texto de von Lenhard, garantiram o sucesso do personagem (segundo o filósofo e lógico-matemático, Willard Quine, Logos “representava para a filosofia do século XX a mesma revolução efetuada, alguns anos antes, pelo Tractatus de Wittgenstein” – Quine, como é sabido, era um grande admirador dos quadrinhos de super-herói e deixou extensos tratados sobre o Besouro Verde) e, no final dos anos 40, von Lenhard era presença constante na Comic-Com de San Diego. Para muitos críticos, a popularidade do herói devia-se a sua caracterização essencialmente humanizada: quando não estava combatendo Irracionalistas, ou submetendo seus alunos a tabelas de verdade, o alter ego de Logos, Heinz-Christian Bucher, entretinha-se acompanhando, pelo rádio, as intensas emoções do Campeonato Europeu de Canastra, ou cortejando – sem muito sucesso – sua paixão platônica, Hannah Arendt. Contudo, no início da década de 50, descontente com o êxito inesperado do personagem (uma importante grife alemã lançou uma linha de anáguas inspiradas na HQ), Josef von Lenhard decide matar Logos, encerrando, dessa forma, a série.
No início da década de 80, a DC Comics adquire (da extinta editora alemã Chucrute Komiks) os direitos de publicação do personagem e os artistas Frank Miller e Todd McFarlane reúnem-se para lançar a graphic-novel Logos: A saga das proposições logicamente falsas”. Em 87, a produtora Miramax leva às telonas o filme Logos, com Rob Lowe no papel do herói e Molly Ringwald como Hannah Arendt; a produção, dirigida por Adrian Lyne e com trilha sonora assinada pelo grupo Queen, é um retumbante fracasso de público e crítica. De acordo a produtora, Logos (como outros heróis) caíra no esquecimento, em virtude da ascensão da filosofia pós-moderna, o que resultou no mau desempenho do filme, nas bilheterias.




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